Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
«Se Portugal fosse um país a sério»
O título deste post é plagiado da crónica que José Pacheco Pereira publicou no Público de 27 de Maio de 2009. Resolvi empregá-lo não para falar de politiquices, como era o caso daquela crónica, mas para falar de coisas que nos enchem o peito e nos fazem sentir vivos.
Já foi há uma data de tempo (10 dias, mais precisamente), mas eu achei que o assunto se adequava mais ao dia de hoje, o tão proclamado dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ou seja, supostamente aquele dia em que, como disse António Barreto hoje no seu bastante aclamado discurso, se celebram todos os portugueses, onde quer que eles estejam.
Falo da declaração que Barack Obama fez no dia 1 deste mês, proclamando o mês de Junho de 2009, em que se comemoram 40 anos sobre os acontecimentos de Stonewall (se não sabe o que é, shame on you!), o mês do orgulho LGBT. Para os que continuam com pruridos em relação à palavra "orgulho" é uma bela estocada (Barack, I love you more and more each day!). E para os governantes portugueses - ou melhor, para todos os portugueses - é uma bela lição.
Como disse Pacheco Pereira, «se Portugal fosse um país a sério» poderíamos muito bem estar a festejar o mesmo. Isto porque nem sempre Portugal foi o último da lista a fazer as coisas. Já que estamos no dia da exaltação do sentimento patriótico (o mais estúpido e o mais nobre, que há quem o tenha de todas as maneiras e feitios), então recordemos que, apesar de esclavagistas e colonialistas como poucos na história, também fomos dos primeiros a dar cartas na defesa dos Direitos Humanos em matérias tão fundamentais como a abolição da escravatura, a abolição da pena de morte e a implementação da escolaridade mínima obrigatória, por exemplo.
Contudo, não obstante este espírito pioneiro em certas coisas, continuamos a permitir que o tempo passe sem que nada (ou muito pouco) mude na realidade dos LGBT em Portugal. Para quando a formação cívica e a educação sexual que podem desempenhar um papel importantíssimo na erradicação da homofobia? Para quando o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo? Para quando a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo? Para quando o acesso à procriação medicamente assistida por mulheres solteiras ou casais de lésbicas? Para quando uma verdadeira consagração do direito à identidade de género e consequentes direitos tão elementares como a mudar o nome quando se muda de género?
Não sabemos. Sabemos apenas que «se Portugal fosse um país a sério» pelo menos alguns desses passos já estariam dados. Sabemos, pelo menos, que há alguns países que têm à frente dos seus destinos pessoas a sério, como é o caso dos Estados Unidos, actualmente. Pessoas a sério que não desperdiçam oportunidades de consertarem os erros do passado, os seus e os de tantos outros, rumo à felicidade de todos os seus cidadãos. Por isso, é imperioso ler o texto que se segue (comovente de tão verdadeiro) e para ficar a perceber como poderia ser se... «Portugal fosse um país a sério».
Já foi há uma data de tempo (10 dias, mais precisamente), mas eu achei que o assunto se adequava mais ao dia de hoje, o tão proclamado dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ou seja, supostamente aquele dia em que, como disse António Barreto hoje no seu bastante aclamado discurso, se celebram todos os portugueses, onde quer que eles estejam.
Falo da declaração que Barack Obama fez no dia 1 deste mês, proclamando o mês de Junho de 2009, em que se comemoram 40 anos sobre os acontecimentos de Stonewall (se não sabe o que é, shame on you!), o mês do orgulho LGBT. Para os que continuam com pruridos em relação à palavra "orgulho" é uma bela estocada (Barack, I love you more and more each day!). E para os governantes portugueses - ou melhor, para todos os portugueses - é uma bela lição.
Como disse Pacheco Pereira, «se Portugal fosse um país a sério» poderíamos muito bem estar a festejar o mesmo. Isto porque nem sempre Portugal foi o último da lista a fazer as coisas. Já que estamos no dia da exaltação do sentimento patriótico (o mais estúpido e o mais nobre, que há quem o tenha de todas as maneiras e feitios), então recordemos que, apesar de esclavagistas e colonialistas como poucos na história, também fomos dos primeiros a dar cartas na defesa dos Direitos Humanos em matérias tão fundamentais como a abolição da escravatura, a abolição da pena de morte e a implementação da escolaridade mínima obrigatória, por exemplo.
Contudo, não obstante este espírito pioneiro em certas coisas, continuamos a permitir que o tempo passe sem que nada (ou muito pouco) mude na realidade dos LGBT em Portugal. Para quando a formação cívica e a educação sexual que podem desempenhar um papel importantíssimo na erradicação da homofobia? Para quando o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo? Para quando a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo? Para quando o acesso à procriação medicamente assistida por mulheres solteiras ou casais de lésbicas? Para quando uma verdadeira consagração do direito à identidade de género e consequentes direitos tão elementares como a mudar o nome quando se muda de género?
Não sabemos. Sabemos apenas que «se Portugal fosse um país a sério» pelo menos alguns desses passos já estariam dados. Sabemos, pelo menos, que há alguns países que têm à frente dos seus destinos pessoas a sério, como é o caso dos Estados Unidos, actualmente. Pessoas a sério que não desperdiçam oportunidades de consertarem os erros do passado, os seus e os de tantos outros, rumo à felicidade de todos os seus cidadãos. Por isso, é imperioso ler o texto que se segue (comovente de tão verdadeiro) e para ficar a perceber como poderia ser se... «Portugal fosse um país a sério».
THE WHITE HOUSE
Office of the Press Secretary
___________________________________________________________
For Immediate Release - June 1, 2009
LESBIAN, GAY, BISEXUAL, AND TRANSGENDER PRIDE MONTH, 2009
- - - - - - -
BY THE PRESIDENT OF THE UNITED STATES OF AMERICA
A PROCLAMATION
Office of the Press Secretary
___________________________________________________________
For Immediate Release - June 1, 2009
LESBIAN, GAY, BISEXUAL, AND TRANSGENDER PRIDE MONTH, 2009
- - - - - - -
BY THE PRESIDENT OF THE UNITED STATES OF AMERICA
A PROCLAMATION
Forty years ago, patrons and supporters of the Stonewall Inn in New York City resisted police harassment that had become all too common for members of the lesbian, gay, bisexual, and transgender (LGBT) community. Out of this resistance, the LGBT rights movement in America was born. During LGBT Pride Month, we commemorate the events of June 1969 and commit to achieving equal justice under law for LGBT Americans.
LGBT Americans have made, and continue to make, great and lasting contributions that continue to strengthen the fabric of American society. There are many well-respected LGBT leaders in all professional fields, including the arts and business communities. LGBT Americans also mobilized the Nation to respond to the domestic HIV/AIDS epidemic and have played a vital role in broadening this country's response to the HIV pandemic.
Due in no small part to the determination and dedication of the LGBT rights movement, more LGBT Americans are living their lives openly today than ever before. I am proud to be the first President to appoint openly LGBT candidates to Senate-confirmed positions in the first 100 days of an Administration. These individuals embody the best qualities we seek in public servants, and across my Administration -- in both the White House and the Federal agencies -- openly LGBT employees are doing their jobs with distinction and professionalism.
The LGBT rights movement has achieved great progress, but there is more work to be done. LGBT youth should feel safe to learn without the fear of harassment, and LGBT families and seniors should be allowed to live their lives with dignity and respect.
My Administration has partnered with the LGBT community to advance a wide range of initiatives. At the international level, I have joined efforts at the United Nations to decriminalize homosexuality around the world. Here at home, I continue to support measures to bring the full spectrum of equal rights to LGBT Americans. These measures include enhancing hate crimes laws, supporting civil unions and Federal rights for LGBT couples, outlawing discrimination in the workplace, ensuring adoption rights, and ending the existing "Don't Ask, Don't Tell" policy in a way that strengthens our Armed Forces and our national security. We must also commit ourselves to fighting the HIV/AIDS epidemic by both reducing the number of HIV infections and providing care and support services to people living with HIV/AIDS across the United States.
These issues affect not only the LGBT community, but also our entire Nation. As long as the promise of equality for all remains unfulfilled, all Americans are affected. If we can work together to advance the principles upon which our Nation was founded, every American will benefit. During LGBT Pride Month, I call upon the LGBT community, the Congress, and the American people to work together to promote equal rights for all, regardless of sexual orientation or gender identity.
NOW, THEREFORE, I, BARACK OBAMA, President of the United States of America, by virtue of the authority vested in me by the Constitution and laws of the United States, do hereby proclaim June 2009 as Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Pride Month. I call upon the people of the United States to turn back discrimination and prejudice everywhere it exists.
IN WITNESS WHEREOF, I have hereunto set my hand this first day of June, in the year of our Lord two thousand nine, and of the Independence of the United States of America the two hundred and thirty-third.
BARACK OBAMA
Fonte: The White House - Press Office
Nota: o negrito é meu.
Mensagem absolutamente pessoal e intransmissível: Primas lindas do meu coração, haveria lá mês melhor para visitar os States? Memorável, caramba.
LGBT Americans have made, and continue to make, great and lasting contributions that continue to strengthen the fabric of American society. There are many well-respected LGBT leaders in all professional fields, including the arts and business communities. LGBT Americans also mobilized the Nation to respond to the domestic HIV/AIDS epidemic and have played a vital role in broadening this country's response to the HIV pandemic.
Due in no small part to the determination and dedication of the LGBT rights movement, more LGBT Americans are living their lives openly today than ever before. I am proud to be the first President to appoint openly LGBT candidates to Senate-confirmed positions in the first 100 days of an Administration. These individuals embody the best qualities we seek in public servants, and across my Administration -- in both the White House and the Federal agencies -- openly LGBT employees are doing their jobs with distinction and professionalism.
The LGBT rights movement has achieved great progress, but there is more work to be done. LGBT youth should feel safe to learn without the fear of harassment, and LGBT families and seniors should be allowed to live their lives with dignity and respect.
My Administration has partnered with the LGBT community to advance a wide range of initiatives. At the international level, I have joined efforts at the United Nations to decriminalize homosexuality around the world. Here at home, I continue to support measures to bring the full spectrum of equal rights to LGBT Americans. These measures include enhancing hate crimes laws, supporting civil unions and Federal rights for LGBT couples, outlawing discrimination in the workplace, ensuring adoption rights, and ending the existing "Don't Ask, Don't Tell" policy in a way that strengthens our Armed Forces and our national security. We must also commit ourselves to fighting the HIV/AIDS epidemic by both reducing the number of HIV infections and providing care and support services to people living with HIV/AIDS across the United States.
These issues affect not only the LGBT community, but also our entire Nation. As long as the promise of equality for all remains unfulfilled, all Americans are affected. If we can work together to advance the principles upon which our Nation was founded, every American will benefit. During LGBT Pride Month, I call upon the LGBT community, the Congress, and the American people to work together to promote equal rights for all, regardless of sexual orientation or gender identity.
NOW, THEREFORE, I, BARACK OBAMA, President of the United States of America, by virtue of the authority vested in me by the Constitution and laws of the United States, do hereby proclaim June 2009 as Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Pride Month. I call upon the people of the United States to turn back discrimination and prejudice everywhere it exists.
IN WITNESS WHEREOF, I have hereunto set my hand this first day of June, in the year of our Lord two thousand nine, and of the Independence of the United States of America the two hundred and thirty-third.
BARACK OBAMA
Fonte: The White House - Press Office
Nota: o negrito é meu.
Mensagem absolutamente pessoal e intransmissível: Primas lindas do meu coração, haveria lá mês melhor para visitar os States? Memorável, caramba.
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Um título vergonhoso
O jornal i publicou ontem (04/06) uma notícia com o título «Homossexualidade. Não é uma doença, mas trata-se», assinada por Inês Cardoso. Assim, sem mais.
Os que pensam que o lead seria esclarecedor para desmentir a tremenda incorrecção em que o título faz incorrer os leitores mais desatentos, desenganem-se, porque o efeito conseguido é exactamente o oposto, senão, leia-se: «Psiquiatras exigem que o Colégio da Especialidade esclareça posições sobre terapêutica para mudar a orientação. Bastonário emite parecer ético».
Os que tiverem o interesse, tempo e pachorra suficientes para lerem a notícia vão concluir que o título é totalmente descabido, para além de conter uma afirmação que não tem a mínima coincidência com a verdade. O título é uma conclusão retirada das palavras do bastonário Luís Nunes, mas uma daqueles conclusões que poderíamos dizer forçadas, já que o bastonário não utiliza o termo "tratar" nem "curar".
Títulos deste género até poderiam ser considerados sensacionalistas, mas atendendo ao elevadíssimo grau de má fé que contêm só podem ser classificados de uma forma: vergonhosos. Lamentavelmente, nada a que o jornal i não nos tenha já habituado. Se isto é que era a prometida lufada de ar fresco na imprensa diária portuguesa, estamos bem arranjados. Lufada de ar podre, no mínimo. Uma vergonha.
__________________
Apenas a título de exemplo, eis mais um título infeliz do jornal i: «Paulo Rangel: "A Igreja deveria abrir mais na questão homossexual"».
Paulo Rangel foi entrevistado agora (o artigo foi publicado no dia 19 de Maio) por ser cabeça de lista do PSD às Europeias. Rangel fala da Europa, do PSD, da sua vida política, do episódio da papa «Maizena», dos programas Inov Contacto e Polis e, por fim, da (sua) religião católica.
Nesse tema, é o próprio Rangel que invoca a questão da relação da Igreja com a homossexualidade. A talhe de foice lá lhe perguntam se ele defende o casamento gay (outra vez "casamento gay", como se o casamento tivesse orientação sexual!), para depois passarem para a questão da adopção (já agora, a antepenúltima pergunta, que por acaso é uma afirmação e a última são magníficas).
Ou seja, no meio de tantos temas abordados por Rangel na entrevista, temas esses pertinentes e actuais porque relacionados com as Europeias - afinal, o motivo pelo qual foi entrevistado - o jornal i resolveu dar destaque digno de título a uma frase relacionando a Igreja com a homossexualidade. E porquê? Porque, na visão torpe de quem dirige o jornal i, certamente este título seria mais "chamativo", embora reflectisse apenas uma pequena e nem sequer a mais significativa parte da entrevista.
Coluna vertebral é algo indispensável no bom jornalismo, mas a avaliar por estes títulos, está visto que não é princípio fundamental entre os (aparentemente estranhos) critérios editoriais do jornal i. Não há outro nome para isto: é mesmo uma vergonha.
Os que pensam que o lead seria esclarecedor para desmentir a tremenda incorrecção em que o título faz incorrer os leitores mais desatentos, desenganem-se, porque o efeito conseguido é exactamente o oposto, senão, leia-se: «Psiquiatras exigem que o Colégio da Especialidade esclareça posições sobre terapêutica para mudar a orientação. Bastonário emite parecer ético».
Os que tiverem o interesse, tempo e pachorra suficientes para lerem a notícia vão concluir que o título é totalmente descabido, para além de conter uma afirmação que não tem a mínima coincidência com a verdade. O título é uma conclusão retirada das palavras do bastonário Luís Nunes, mas uma daqueles conclusões que poderíamos dizer forçadas, já que o bastonário não utiliza o termo "tratar" nem "curar".
Títulos deste género até poderiam ser considerados sensacionalistas, mas atendendo ao elevadíssimo grau de má fé que contêm só podem ser classificados de uma forma: vergonhosos. Lamentavelmente, nada a que o jornal i não nos tenha já habituado. Se isto é que era a prometida lufada de ar fresco na imprensa diária portuguesa, estamos bem arranjados. Lufada de ar podre, no mínimo. Uma vergonha.
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Apenas a título de exemplo, eis mais um título infeliz do jornal i: «Paulo Rangel: "A Igreja deveria abrir mais na questão homossexual"».
Paulo Rangel foi entrevistado agora (o artigo foi publicado no dia 19 de Maio) por ser cabeça de lista do PSD às Europeias. Rangel fala da Europa, do PSD, da sua vida política, do episódio da papa «Maizena», dos programas Inov Contacto e Polis e, por fim, da (sua) religião católica.
Nesse tema, é o próprio Rangel que invoca a questão da relação da Igreja com a homossexualidade. A talhe de foice lá lhe perguntam se ele defende o casamento gay (outra vez "casamento gay", como se o casamento tivesse orientação sexual!), para depois passarem para a questão da adopção (já agora, a antepenúltima pergunta, que por acaso é uma afirmação e a última são magníficas).
Ou seja, no meio de tantos temas abordados por Rangel na entrevista, temas esses pertinentes e actuais porque relacionados com as Europeias - afinal, o motivo pelo qual foi entrevistado - o jornal i resolveu dar destaque digno de título a uma frase relacionando a Igreja com a homossexualidade. E porquê? Porque, na visão torpe de quem dirige o jornal i, certamente este título seria mais "chamativo", embora reflectisse apenas uma pequena e nem sequer a mais significativa parte da entrevista.
Coluna vertebral é algo indispensável no bom jornalismo, mas a avaliar por estes títulos, está visto que não é princípio fundamental entre os (aparentemente estranhos) critérios editoriais do jornal i. Não há outro nome para isto: é mesmo uma vergonha.
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Como se do curso de um rio se tratasse
Nem dei conta, mas a verdade é que já passaram mais de dois meses desde que escrevi aqui um post pela última vez.
Gostava muito de poder dizer que tinha andado só a trabalhar (e a divertir-me de vez em quando), ocupadíssima, sem tempo para o Assumidamente. Certamente, isso iria tranquilizar o meu espírito, mas não seria verdade.
Ou melhor, não seria inteiramente verdade. É verdade que o trabalho tem sido muito, que tenho aproveitado todos os tempos livres para des-can-sar, para me divertir a fazer as coisas de que gosto, para amar, para viver. Mas também é verdade que já poderia ter escrito aqui muitas coisas, sobre muitos assuntos, muitas vezes, nestes mais de dois meses que se passaram.
Não o fiz porque, sinceramente, não me apeteceu e vós, principalmente os que que já andais desse lado há muito tempo, sabeis que eu procuro muito respeitar as minhas vontades e, portanto, fazer apenas o que me apetece.
Não consigo, pura e simplesmente, nem quero escrever posts só porque sim, só porque o blog está desactualizado há muito tempo, só porque aconteceu alguma coisa, só porque é suposto, quando se tem um espaço destes, ter sempre algo a dizer.
Uma das características deste blog - e que o fez ser aquilo que hoje é - é essa mesma: o que aqui é escrito vem de dentro, do desejo de dizer, da necessidade de expressar pensamentos e de fazer partilhas com os leitores.
Pois bem. Esses ímpetos têm andado um pouco ausentes do meu peito e essa é a razão principal e a mais verdadeira para que o tempo passe sem que o Assumidamente seja actualizado. Acreditai que me surpreende a mim mesma esta quase letargia, mas tenho convivido com ela de forma saudável, até porque acho que ela é reflexo de um período de mudança que eu estou a atravessar.
O Assumidamente não perdeu o sentido, continua bem vivo e gravado eternamente dentro de mim e, com ele, cada um dos posts, cada momento de partilha, cada comentário. Por isso mesmo, é um bem demasiado puro e precioso para que o destrua com tentativas falhadas de posts feitos à pressão. Sempre recusei isso, não haveria de ser agora que iria começar a percorrer tal caminho.
Deixo o Assumidamente tomar o seu rumo, naturalmente, como se do curso de um rio se tratasse. Por isso é que há dias em que me apetece voltar aqui e volto, e outros em que me apetece andar longe e daí a distância e o silêncio.
Sei que estas palavras são necessárias para a grande maioria dos leitores do Assumidamente que, de uma forma mais ou menos consistente, já se aperceberam de como as coisas funcionam por aqui, mas hoje, não sei porquê, apeteceu-me fazer login, criar uma nova mensagem, abrir uma página e vir aqui escrever estas palavras. Apeteceu-me, só isso.
Gostava muito de poder dizer que tinha andado só a trabalhar (e a divertir-me de vez em quando), ocupadíssima, sem tempo para o Assumidamente. Certamente, isso iria tranquilizar o meu espírito, mas não seria verdade.
Ou melhor, não seria inteiramente verdade. É verdade que o trabalho tem sido muito, que tenho aproveitado todos os tempos livres para des-can-sar, para me divertir a fazer as coisas de que gosto, para amar, para viver. Mas também é verdade que já poderia ter escrito aqui muitas coisas, sobre muitos assuntos, muitas vezes, nestes mais de dois meses que se passaram.
Não o fiz porque, sinceramente, não me apeteceu e vós, principalmente os que que já andais desse lado há muito tempo, sabeis que eu procuro muito respeitar as minhas vontades e, portanto, fazer apenas o que me apetece.
Não consigo, pura e simplesmente, nem quero escrever posts só porque sim, só porque o blog está desactualizado há muito tempo, só porque aconteceu alguma coisa, só porque é suposto, quando se tem um espaço destes, ter sempre algo a dizer.
Uma das características deste blog - e que o fez ser aquilo que hoje é - é essa mesma: o que aqui é escrito vem de dentro, do desejo de dizer, da necessidade de expressar pensamentos e de fazer partilhas com os leitores.
Pois bem. Esses ímpetos têm andado um pouco ausentes do meu peito e essa é a razão principal e a mais verdadeira para que o tempo passe sem que o Assumidamente seja actualizado. Acreditai que me surpreende a mim mesma esta quase letargia, mas tenho convivido com ela de forma saudável, até porque acho que ela é reflexo de um período de mudança que eu estou a atravessar.
O Assumidamente não perdeu o sentido, continua bem vivo e gravado eternamente dentro de mim e, com ele, cada um dos posts, cada momento de partilha, cada comentário. Por isso mesmo, é um bem demasiado puro e precioso para que o destrua com tentativas falhadas de posts feitos à pressão. Sempre recusei isso, não haveria de ser agora que iria começar a percorrer tal caminho.
Deixo o Assumidamente tomar o seu rumo, naturalmente, como se do curso de um rio se tratasse. Por isso é que há dias em que me apetece voltar aqui e volto, e outros em que me apetece andar longe e daí a distância e o silêncio.
Sei que estas palavras são necessárias para a grande maioria dos leitores do Assumidamente que, de uma forma mais ou menos consistente, já se aperceberam de como as coisas funcionam por aqui, mas hoje, não sei porquê, apeteceu-me fazer login, criar uma nova mensagem, abrir uma página e vir aqui escrever estas palavras. Apeteceu-me, só isso.
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
A igualdade ou nada!
Atendendo ao tema do Prós & Contras da passada segunda-feira, dedicado ao debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu lá fiz o esforço de ver o programa. E em boa hora o fiz, diga-se. Parece-me bastante dizer que foi indubitavelmente elucidativo sobre a sobriedade dos que defendem a igualdade, a liberdade e a democracia e sobre o desespero dos que tentam a todo o custo manter o preconceito, a discriminação, a homofobia social e jurídica.
Do lado dos que estavam a favor não há um único reparo a fazer às intervenções, aos tons, às posturas. Do lado dos que estavam contra muito poderia ser dito sobre o modo leviano como tentaram desesperadamente comparar a homossexualidade a tudo quanto fosse negativo (da poligamia ao incesto), como disseram que a Lei, em Portugal, não discrimina as pessoas em função da sua orientação sexual, como pretenderam passar a ideia absolutamente inaceitável de que o casamento é privilégio dos heterossexuais porque todas as outras formas de afecto e de comunhão de vida lhe são inferiores à que existe entre uma mulher e um homem.
Foi absolutamente vergonhosa a desorientação dos diversos intervenientes do contra, que procuraram a todo o custo desviar a questão, essencialmente jurídica e social, para a religião, para a moral e para a já mais do que gasta fita da "família" e da "prócriação" (isso são consequências do casamento, senhores, não são pressuposto, irra!). Vergonhosa (mas porque evidenciou uma tremenda ignorância) foi também a tentativa de argumentarem a pretensa diferença entre as relações hetero e homossexuais para justificarem a discriminação, subvertendo inteiramente aquilo em que consiste o princípio da igualdade.
Estão, por isso, de parabéns pela coragem e pela paciência com que mantiveram o sangre frio perante as inúmeras enormidades proferidas ao longo do programa Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida e, ainda, Rui Tavares, Fernanda Câncio, Carlos Pamplona Corte-Real, Daniel Oliveira e Paulo Pamplona Corte-Real. Desta vez, até Fátima Campos Ferreira tem o meu agradecimento, porque esteve bem durante todo o programa e foi até capaz de, em pequenos pormenores, dar a entender que estava mais sensível aos argumentos a favor do que aos não-argumentos contra.
Particularmente importantes pareceram-me as intervenções do Miguel Vale de Almeida. A primeira porque abordou a questão fulcral da discriminação dos homossexuais ao longo da história. A última porque sintetizou em que ponto da discussão acerca da temática do casamento é que nos encontramos presentemente e porque insistiu na necessidade de consagrar uma igualdade plena que permita o acesso a uma cidadania plena e não uma cidadania diferente que apenas serviria para aumentar ainda mais a discriminação.
O debate terminou com uma chave-de-ouro, que também ficamos a dever ao Miguel e que devemos ter sempre presente dentro de nós, principalmente quando ouvirmos idiotices do género das que se ouviram durante o programa: «a igualdade ou nada». Porque só isso é que é justo.
Do lado dos que estavam a favor não há um único reparo a fazer às intervenções, aos tons, às posturas. Do lado dos que estavam contra muito poderia ser dito sobre o modo leviano como tentaram desesperadamente comparar a homossexualidade a tudo quanto fosse negativo (da poligamia ao incesto), como disseram que a Lei, em Portugal, não discrimina as pessoas em função da sua orientação sexual, como pretenderam passar a ideia absolutamente inaceitável de que o casamento é privilégio dos heterossexuais porque todas as outras formas de afecto e de comunhão de vida lhe são inferiores à que existe entre uma mulher e um homem.
Foi absolutamente vergonhosa a desorientação dos diversos intervenientes do contra, que procuraram a todo o custo desviar a questão, essencialmente jurídica e social, para a religião, para a moral e para a já mais do que gasta fita da "família" e da "prócriação" (isso são consequências do casamento, senhores, não são pressuposto, irra!). Vergonhosa (mas porque evidenciou uma tremenda ignorância) foi também a tentativa de argumentarem a pretensa diferença entre as relações hetero e homossexuais para justificarem a discriminação, subvertendo inteiramente aquilo em que consiste o princípio da igualdade.
Estão, por isso, de parabéns pela coragem e pela paciência com que mantiveram o sangre frio perante as inúmeras enormidades proferidas ao longo do programa Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida e, ainda, Rui Tavares, Fernanda Câncio, Carlos Pamplona Corte-Real, Daniel Oliveira e Paulo Pamplona Corte-Real. Desta vez, até Fátima Campos Ferreira tem o meu agradecimento, porque esteve bem durante todo o programa e foi até capaz de, em pequenos pormenores, dar a entender que estava mais sensível aos argumentos a favor do que aos não-argumentos contra.
Particularmente importantes pareceram-me as intervenções do Miguel Vale de Almeida. A primeira porque abordou a questão fulcral da discriminação dos homossexuais ao longo da história. A última porque sintetizou em que ponto da discussão acerca da temática do casamento é que nos encontramos presentemente e porque insistiu na necessidade de consagrar uma igualdade plena que permita o acesso a uma cidadania plena e não uma cidadania diferente que apenas serviria para aumentar ainda mais a discriminação.
O debate terminou com uma chave-de-ouro, que também ficamos a dever ao Miguel e que devemos ter sempre presente dentro de nós, principalmente quando ouvirmos idiotices do género das que se ouviram durante o programa: «a igualdade ou nada». Porque só isso é que é justo.
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
O horror da estupidez
É um facto: as crónicas com que Mário Crespo nos vem presenteando no JN têm revelado um apurar de algo que oscila entre a ignorância e a leviandade, a ofensa rasteira e a estupidez, a pobreza intelectual e o desejo premente de ser visto como modelo por todos os indivíduos que tenham como lema de vida ser causa de infelicidade para outros.
Paradoxal é o facto de este sujeito continuar a dizer o que diz e a escrever o que escreve sem sofrer consequências por isso. Pela minha parte, votei-o à mais completa indiferença (aliás, li a crónica desta semana apenas porque de outro modo não compreenderia a que se referia este post do Jugular, caso contrário, não o faria). Assim sendo, não vejo os seus programas de televisão, não leio o que escreve, não lhe dou a mínima importância.
Mário Crespo integra, em conjunto com todos os indivíduos que se dedicam a comentar online as notícias dos jornais portugueses, uma nova espécie que tem vindo a florescer no nosso país, composta por seres que de cada vez que abrem a boca conseguem a proeza de exibir a mais lastimável das ignorâncias. Ainda por cima, daquelas ignorâncias redutoras, capazes de produzir pérolas como esta: «[sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a eutanásia] Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte».
O grande argumento de Crespo é este: o casamento é a única instituição que, na sociedade, protege a procriação e, portanto, fazendo jus à sua (de Crespo) faceta simplista, Crespo limita o casamento a isso mesmo, à função proteccionista da reprodução, o que o ilumina para escrever belezas destas: «Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência».
Escusado será dizer que o jornalista se excede, tira conclusões despropositadas, subverte o cerne das questões, lança confusão entre as duas figuras, procura disseminar uma opinião bacoca, baseada em preconceitos, puritanismo, falsos valores e falsa moralidade. Por isso mesmo é que, como já disse acima, Crespo exibe no que diz e escreve, em todo o seu esplendor, a mais confrangedora ignorância. E essa exibição tem tanto de evidente como de lamentável. No fundo, Crespo e outros quejandos metem dó, essa é que é essa. Comiseração e pena é tudo quanto me merecem.
Paradoxal é o facto de este sujeito continuar a dizer o que diz e a escrever o que escreve sem sofrer consequências por isso. Pela minha parte, votei-o à mais completa indiferença (aliás, li a crónica desta semana apenas porque de outro modo não compreenderia a que se referia este post do Jugular, caso contrário, não o faria). Assim sendo, não vejo os seus programas de televisão, não leio o que escreve, não lhe dou a mínima importância.
Mário Crespo integra, em conjunto com todos os indivíduos que se dedicam a comentar online as notícias dos jornais portugueses, uma nova espécie que tem vindo a florescer no nosso país, composta por seres que de cada vez que abrem a boca conseguem a proeza de exibir a mais lastimável das ignorâncias. Ainda por cima, daquelas ignorâncias redutoras, capazes de produzir pérolas como esta: «[sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a eutanásia] Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte».
O grande argumento de Crespo é este: o casamento é a única instituição que, na sociedade, protege a procriação e, portanto, fazendo jus à sua (de Crespo) faceta simplista, Crespo limita o casamento a isso mesmo, à função proteccionista da reprodução, o que o ilumina para escrever belezas destas: «Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência».
Escusado será dizer que o jornalista se excede, tira conclusões despropositadas, subverte o cerne das questões, lança confusão entre as duas figuras, procura disseminar uma opinião bacoca, baseada em preconceitos, puritanismo, falsos valores e falsa moralidade. Por isso mesmo é que, como já disse acima, Crespo exibe no que diz e escreve, em todo o seu esplendor, a mais confrangedora ignorância. E essa exibição tem tanto de evidente como de lamentável. No fundo, Crespo e outros quejandos metem dó, essa é que é essa. Comiseração e pena é tudo quanto me merecem.
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Para assustar criancinhas e não só
O Halloween ainda vem longe, bem sei, mas estas coisas preparam-se com tempo, qual campanha eleitoral. Além disso, como nunca se sabe quando podemos ser vítimas de carjaquim, dá sempre jeito ter à mão uma arma, muito mais eficaz do que o gás pimenta, que imobilize os ladrões, deixando-os estáticos, agarrados às orelhas, enquanto nos imploram pelo termo do seu sofrimento, o que alguém fará assim que chegue a polícia.
Por isso e muito mais ides ficar eternamente agradecidos por esta dica que vou dar-vos. Para além das enormes vantagens no combate ao crime, caso tenhais criancinhas em casa, parece-me uma excelente arma anti-birras não-quero-comer-a-sopa-e-eu-só-vou-para-a-cama-quando-eu-quiser.
Falo desta maravilha que alguém deveria propor fosse promovida a Património da Humanidade (o que eu só não faço por falta de tempo) e que consiste no maravilhoso leque de 24 canções que a RTP pré-seleccionou para esse momento televisivo inigualável que é qualquer Festival da Canção, muito mais se for o português. Se a esta hora ainda não ouvistes nenhuma, não sabeis o que andais a perder. A vossa sorte é que eu não posso ver sangue porque desmaio, senão, como castigo, ordenava já que vos auto-flagelásseis à chicotada, que é para aprenderdes.
Como é óbvio, só pelos títulos se vê que se trata de jóias poéticas do mais fino quilate. Apenas alguns exemplos e ficareis a perceber o que quero dizer: Amore Mio, Amore Mio (interpretada por Tayti), Sinto Sentido (interpretada por Pedro Duvalle), Acordem Olhos Doirados (interpretada por Romana), Não Demores (Quero-te Aquecer) (interpretada por Nuno e Fábia), Juntos Vamos Conseguir (Yes We Can) (interpretada por Luciana Abreu), Procuro-me em Ti (interpretada por Sérgio Lucas) e Amar Mais Forte que o Vento (interpretada por Eva Danin).
Mas estes interessantíssimos títulos pouco são se comparados com as letras e as músicas. Nada como ouvir na pagina que a RTP preparou especialmente para o efeito (clicar). Eu recomendo particularmente as canções da Nucha e do Pedro Duvalle para quem quiser ver o que é desafinar, no primeiro caso e não ter voz para cantar seja o que for, no segundo. Se quereis abanar o capacete, nada como a canção das Tayti. E se quereis ouvir como canta alguém que se deixou impressionar demasiado pela The Story da Brandi Carlile, ouvi a interpretação da Romana. Finalmente, quem quiser ouvir uma imitação das paroladas pop americanas para as quais já não há pachorra desde 1999 pode ouvir a obamizada canção da Luciana Abreu.
E pronto, acho que já vos despertei a curiosidade. Não percais mais tempo, ide e clicai, ide e ouvi, mas só se não usardes bypass, claro. Just in case, you know...
Por isso e muito mais ides ficar eternamente agradecidos por esta dica que vou dar-vos. Para além das enormes vantagens no combate ao crime, caso tenhais criancinhas em casa, parece-me uma excelente arma anti-birras não-quero-comer-a-sopa-e-eu-só-vou-para-a-cama-quando-eu-quiser.
Falo desta maravilha que alguém deveria propor fosse promovida a Património da Humanidade (o que eu só não faço por falta de tempo) e que consiste no maravilhoso leque de 24 canções que a RTP pré-seleccionou para esse momento televisivo inigualável que é qualquer Festival da Canção, muito mais se for o português. Se a esta hora ainda não ouvistes nenhuma, não sabeis o que andais a perder. A vossa sorte é que eu não posso ver sangue porque desmaio, senão, como castigo, ordenava já que vos auto-flagelásseis à chicotada, que é para aprenderdes.
Como é óbvio, só pelos títulos se vê que se trata de jóias poéticas do mais fino quilate. Apenas alguns exemplos e ficareis a perceber o que quero dizer: Amore Mio, Amore Mio (interpretada por Tayti), Sinto Sentido (interpretada por Pedro Duvalle), Acordem Olhos Doirados (interpretada por Romana), Não Demores (Quero-te Aquecer) (interpretada por Nuno e Fábia), Juntos Vamos Conseguir (Yes We Can) (interpretada por Luciana Abreu), Procuro-me em Ti (interpretada por Sérgio Lucas) e Amar Mais Forte que o Vento (interpretada por Eva Danin).
Mas estes interessantíssimos títulos pouco são se comparados com as letras e as músicas. Nada como ouvir na pagina que a RTP preparou especialmente para o efeito (clicar). Eu recomendo particularmente as canções da Nucha e do Pedro Duvalle para quem quiser ver o que é desafinar, no primeiro caso e não ter voz para cantar seja o que for, no segundo. Se quereis abanar o capacete, nada como a canção das Tayti. E se quereis ouvir como canta alguém que se deixou impressionar demasiado pela The Story da Brandi Carlile, ouvi a interpretação da Romana. Finalmente, quem quiser ouvir uma imitação das paroladas pop americanas para as quais já não há pachorra desde 1999 pode ouvir a obamizada canção da Luciana Abreu.
E pronto, acho que já vos despertei a curiosidade. Não percais mais tempo, ide e clicai, ide e ouvi, mas só se não usardes bypass, claro. Just in case, you know...
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Sempre muito bem 'sposta, muito reinadia

Falo da Dona Rosete, pois claro e realmente, cujo programa de hoje na TSF foi dedicado a um «parabenete» à moção apresentada por Sócrates no passado domingo. Tal como a D. Ild(g)a, que «deve ter um filho ou um netinho que, pronto, é mais amigo de ouvir os ABBA do que os outros», a Dona Rosete também tem um sobrinho «gái» que lhe «chuleia as saias» quando ela precisa de uma «para uma ocasião especial».
Para mais gargalhadas, nada como ler o texto no blog da Dona Rosete (clicar) ou ouvir a sua crónica radiofónica no site da TSF (clicar), 'tá lêgali?
Para mais gargalhadas, nada como ler o texto no blog da Dona Rosete (clicar) ou ouvir a sua crónica radiofónica no site da TSF (clicar), 'tá lêgali?
Ide e lede
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Uma nova Era para os Direitos dos LGBT na América
Com a chegada de Obama à presidência dos Estados Unidos da América, o país vive (e nós assistimos a) o nascimento de uma nova Era no que respeita aos direitos das pessoas LGBT. O site da Casa Branca (clicar) foi totalmente renovado e a partir de ontem passou a incluir uma nova secção, uma agenda para os Direitos Civis (clicar), com uma parte especificamente dedicada aos cidadãos LGBT, que transcrevo a seguir:
Support for the LGBT Community
* Expand Hate Crimes Statutes: In 2004, crimes against LGBT Americans constituted the third-highest category of hate crime reported and made up more than 15 percent of such crimes. President Obama cosponsored legislation that would expand federal jurisdiction to include violent hate crimes perpetrated because of race, color, religion, national origin, sexual orientation, gender identity, or physical disability. As a state senator, President Obama passed tough legislation that made hate crimes and conspiracy to commit them against the law.
* Fight Workplace Discrimination: President Obama supports the Employment Non-Discrimination Act, and believes that our anti-discrimination employment laws should be expanded to include sexual orientation and gender identity. While an increasing number of employers have extended benefits to their employees' domestic partners, discrimination based on sexual orientation in the workplace occurs with no federal legal remedy. The President also sponsored legislation in the Illinois State Senate that would ban employment discrimination on the basis of sexual orientation.
* Support Full Civil Unions and Federal Rights for LGBT Couples: President Obama supports full civil unions that give same-sex couples legal rights and privileges equal to those of married couples. Obama also believes we need to repeal the Defense of Marriage Act and enact legislation that would ensure that the 1,100+ federal legal rights and benefits currently provided on the basis of marital status are extended to same-sex couples in civil unions and other legally-recognized unions. These rights and benefits include the right to assist a loved one in times of emergency, the right to equal health insurance and other employment benefits, and property rights.
* Oppose a Constitutional Ban on Same-Sex Marriage: President Obama voted against the Federal Marriage Amendment in 2006 which would have defined marriage as between a man and a woman and prevented judicial extension of marriage-like rights to same-sex or other unmarried couples.
* Repeal Don't Ask-Don't Tell: President Obama agrees with former Chairman of the Joint Chiefs of Staff John Shalikashvili and other military experts that we need to repeal the "don't ask, don't tell" policy. The key test for military service should be patriotism, a sense of duty, and a willingness to serve. Discrimination should be prohibited. The U.S. government has spent millions of dollars replacing troops kicked out of the military because of their sexual orientation. Additionally, more than 300 language experts have been fired under this policy, including more than 50 who are fluent in Arabic. The President will work with military leaders to repeal the current policy and ensure it helps accomplish our national defense goals.
* Expand Adoption Rights: President Obama believes that we must ensure adoption rights for all couples and individuals, regardless of their sexual orientation. He thinks that a child will benefit from a healthy and loving home, whether the parents are gay or not.
* Promote AIDS Prevention: In the first year of his presidency, President Obama will develop and begin to implement a comprehensive national HIV/AIDS strategy that includes all federal agencies. The strategy will be designed to reduce HIV infections, increase access to care and reduce HIV-related health disparities. The President will support common sense approaches including age-appropriate sex education that includes information about contraception, combating infection within our prison population through education and contraception, and distributing contraceptives through our public health system. The President also supports lifting the federal ban on needle exchange, which could dramatically reduce rates of infection among drug users. President Obama has also been willing to confront the stigma -- too often tied to homophobia -- that continues to surround HIV/AIDS.
* Empower Women to Prevent HIV/AIDS: In the United States, the percentage of women diagnosed with AIDS has quadrupled over the last 20 years. Today, women account for more than one quarter of all new HIV/AIDS diagnoses. President Obama introduced the Microbicide Development Act, which will accelerate the development of products that empower women in the battle against AIDS. Microbicides are a class of products currently under development that women apply topically to prevent transmission of HIV and other infections.
Oxalá este texto possa servir de inspiração (e um pouco mais) aos tempos que se avizinham em Portugal.
Support for the LGBT Community
«While we have come a long way since the Stonewall riots in 1969, we still have a lot of work to do. Too often, the issue of LGBT rights is exploited by those seeking to divide us. But at its core, this issue is about who we are as Americans. It's about whether this nation is going to live up to its founding promise of equality by treating all its citizens with dignity and respect.»
Barack Obama, June 1, 2007
* Expand Hate Crimes Statutes: In 2004, crimes against LGBT Americans constituted the third-highest category of hate crime reported and made up more than 15 percent of such crimes. President Obama cosponsored legislation that would expand federal jurisdiction to include violent hate crimes perpetrated because of race, color, religion, national origin, sexual orientation, gender identity, or physical disability. As a state senator, President Obama passed tough legislation that made hate crimes and conspiracy to commit them against the law.
* Fight Workplace Discrimination: President Obama supports the Employment Non-Discrimination Act, and believes that our anti-discrimination employment laws should be expanded to include sexual orientation and gender identity. While an increasing number of employers have extended benefits to their employees' domestic partners, discrimination based on sexual orientation in the workplace occurs with no federal legal remedy. The President also sponsored legislation in the Illinois State Senate that would ban employment discrimination on the basis of sexual orientation.
* Support Full Civil Unions and Federal Rights for LGBT Couples: President Obama supports full civil unions that give same-sex couples legal rights and privileges equal to those of married couples. Obama also believes we need to repeal the Defense of Marriage Act and enact legislation that would ensure that the 1,100+ federal legal rights and benefits currently provided on the basis of marital status are extended to same-sex couples in civil unions and other legally-recognized unions. These rights and benefits include the right to assist a loved one in times of emergency, the right to equal health insurance and other employment benefits, and property rights.
* Oppose a Constitutional Ban on Same-Sex Marriage: President Obama voted against the Federal Marriage Amendment in 2006 which would have defined marriage as between a man and a woman and prevented judicial extension of marriage-like rights to same-sex or other unmarried couples.
* Repeal Don't Ask-Don't Tell: President Obama agrees with former Chairman of the Joint Chiefs of Staff John Shalikashvili and other military experts that we need to repeal the "don't ask, don't tell" policy. The key test for military service should be patriotism, a sense of duty, and a willingness to serve. Discrimination should be prohibited. The U.S. government has spent millions of dollars replacing troops kicked out of the military because of their sexual orientation. Additionally, more than 300 language experts have been fired under this policy, including more than 50 who are fluent in Arabic. The President will work with military leaders to repeal the current policy and ensure it helps accomplish our national defense goals.
* Expand Adoption Rights: President Obama believes that we must ensure adoption rights for all couples and individuals, regardless of their sexual orientation. He thinks that a child will benefit from a healthy and loving home, whether the parents are gay or not.
* Promote AIDS Prevention: In the first year of his presidency, President Obama will develop and begin to implement a comprehensive national HIV/AIDS strategy that includes all federal agencies. The strategy will be designed to reduce HIV infections, increase access to care and reduce HIV-related health disparities. The President will support common sense approaches including age-appropriate sex education that includes information about contraception, combating infection within our prison population through education and contraception, and distributing contraceptives through our public health system. The President also supports lifting the federal ban on needle exchange, which could dramatically reduce rates of infection among drug users. President Obama has also been willing to confront the stigma -- too often tied to homophobia -- that continues to surround HIV/AIDS.
* Empower Women to Prevent HIV/AIDS: In the United States, the percentage of women diagnosed with AIDS has quadrupled over the last 20 years. Today, women account for more than one quarter of all new HIV/AIDS diagnoses. President Obama introduced the Microbicide Development Act, which will accelerate the development of products that empower women in the battle against AIDS. Microbicides are a class of products currently under development that women apply topically to prevent transmission of HIV and other infections.
Oxalá este texto possa servir de inspiração (e um pouco mais) aos tempos que se avizinham em Portugal.
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
Obama já é presidente

Barack Obama já foi oficialmente empossado como Presidente dos Estados Unidos da América. Depois do juramento, proferiu o seu primeiro discurso nessa qualidade. Numa apreciação muito superficial, diria que foi algo excessivo nos lugares comuns e nos apelos ao nacionalismo e ao "espírito da nação", embora temperado com palavras dirigidas quer aos povos estrangeiros, quer aos americanos chamando a atenção para a necessidade de acompanhar a evolução mundial e do empenho que todos temos de ter na prossecução de objectivos que são - só podem ser - comuns.
Globalmente, embora pouco entusiasmante, o discurso foi positivo, com bastantes notas de esperança, muitas referências aos valores da igualdade e da liberdade e, o mais importante de tudo, um discurso de comprometimento com o trabalho que Obama terá de enfrentar e realizar. Esperemos que seja mesmo assim.
O texto escrito do discurso pode ser lido no NYTimes, em inglês (clicar).
:: ADENDA ::
O Público também disponibiliza o discurso, em português (clicar).
Globalmente, embora pouco entusiasmante, o discurso foi positivo, com bastantes notas de esperança, muitas referências aos valores da igualdade e da liberdade e, o mais importante de tudo, um discurso de comprometimento com o trabalho que Obama terá de enfrentar e realizar. Esperemos que seja mesmo assim.
O texto escrito do discurso pode ser lido no NYTimes, em inglês (clicar).
:: ADENDA ::
O Público também disponibiliza o discurso, em português (clicar).
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Uma no cravo, três na ferradura
Declarações de Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, à TSF:
«Proponho apenas a remoção das barreiras jurídicas à celebração do casamento entre pessoas do mesmo sexo, qualquer interpretação no sentido de que isto significa a proposta da consagração do direito à adopção por casais do mesmo sexo é um abuso.»
«As questões são muito diferentes porque no que diz respeito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo está apenas em causa o respeito pela decisão livre e consciente tomada por dois adultos, no que diz respeito à adopção estão em causa os interesses da criança, pelos quais o Estado deve zelar.»
«O Partido Socialista se aceitar a moção de José Sócrates manterá a sua posição contrária à adopção por casais do mesmo sexo».
Interpretação livre:
«O PS está a dar-vos a mão, não queirais o braço todo, suas bichas lambonas.»
«O PS, porque é um partido muito bonzinho, admite que vós possais casar uns com os outros, porque as vossas paneleirices são lá entre vós, mas mantende-vos afastados das nossas criancinhas, seus pervertidos.»
«O Sócrates está a fazer uma jogada eleitoral para ganhar votos, porque nós no fundo, no fundo, continuamos a ser homofóbicos como o caraças.»
«Proponho apenas a remoção das barreiras jurídicas à celebração do casamento entre pessoas do mesmo sexo, qualquer interpretação no sentido de que isto significa a proposta da consagração do direito à adopção por casais do mesmo sexo é um abuso.»
«As questões são muito diferentes porque no que diz respeito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo está apenas em causa o respeito pela decisão livre e consciente tomada por dois adultos, no que diz respeito à adopção estão em causa os interesses da criança, pelos quais o Estado deve zelar.»
«O Partido Socialista se aceitar a moção de José Sócrates manterá a sua posição contrária à adopção por casais do mesmo sexo».
Interpretação livre:
«O PS está a dar-vos a mão, não queirais o braço todo, suas bichas lambonas.»
«O PS, porque é um partido muito bonzinho, admite que vós possais casar uns com os outros, porque as vossas paneleirices são lá entre vós, mas mantende-vos afastados das nossas criancinhas, seus pervertidos.»
«O Sócrates está a fazer uma jogada eleitoral para ganhar votos, porque nós no fundo, no fundo, continuamos a ser homofóbicos como o caraças.»
Histórico?
Embora compreenda a perspectiva do Miguel Vale de Almeida e de tantos outros, revejo-me mais na posição do Vasco M. Barreto. Foi alcançado um objectivo fundamental para todos nós (eu incluída, que também quero casar-me com a mulher que amo): a afirmação por parte de um partido que pode governar da necessidade de alterar a lei e de o fazer a breve trecho.
Sucede que o fim não justifica o meio. A medida vem tarde, carregada de oportunismo político e, ademais, recomenda que o entusiasmo seja contido. Isto porque se trata apenas de uma menção numa moção: não está no programa de governo e, como já escreveu o Héliocoptero no Devaneios LGBT, «O comportamento errático não é sinal de credibilidade e o PS não é crível nesta matéria. Já o foi, mas mandou isso pela janela fora quando fez tábua rasa das suas próprias palavras em Outubro passado. (...) quem já foi cobarde uma vez, pode sempre voltar a sê-lo».
De paleio estamos nós fartos. Não consigo, por isso, rejubilar por aí além com o discurso proferido ontem por Sócrates, muito menos consigo apelidar o anúncio de "histórico", como faz a Fernanda Câncio (em comentário a este post). Histórico teria sido demonstrar coragem e vontade política há três meses. Não posso simplesmente considerar histórica uma medida que deixou em suspenso a vida de tantos LGBT, nos quais eu me incluo, sem qualquer razão válida para tal a não ser os interesses eleitorais do Partido Socialista. Daqui até o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser uma realidade no meu país posso muito bem morrer. E não serei apenas eu a morrer solteira: assim também morrerá a culpa.
De igual modo, não acho histórico que o Senhor Primeiro Ministro só agora tenha chegado à conclusão de que a questão da igualdade entre todos os cidadãos é uma prioridade. Na realidade, acho até bastante triste.
Ainda que todos os pontos da agenda de que fala o Miguel se concretizem, uma coisa é certa: este tema será sempre uma mancha no currículo do PS e nenhum LGBT deveria esquecer-se disso. Estou optimista em relação à mudança, claro, mas até que ela opere tenho todo o direito de duvidar das boas intenções dos socialistas.
Nota: este texto foi publicado (com ligeiras alterações) como comentário a este post do Miguel Vale de Almeida.
Sucede que o fim não justifica o meio. A medida vem tarde, carregada de oportunismo político e, ademais, recomenda que o entusiasmo seja contido. Isto porque se trata apenas de uma menção numa moção: não está no programa de governo e, como já escreveu o Héliocoptero no Devaneios LGBT, «O comportamento errático não é sinal de credibilidade e o PS não é crível nesta matéria. Já o foi, mas mandou isso pela janela fora quando fez tábua rasa das suas próprias palavras em Outubro passado. (...) quem já foi cobarde uma vez, pode sempre voltar a sê-lo».
De paleio estamos nós fartos. Não consigo, por isso, rejubilar por aí além com o discurso proferido ontem por Sócrates, muito menos consigo apelidar o anúncio de "histórico", como faz a Fernanda Câncio (em comentário a este post). Histórico teria sido demonstrar coragem e vontade política há três meses. Não posso simplesmente considerar histórica uma medida que deixou em suspenso a vida de tantos LGBT, nos quais eu me incluo, sem qualquer razão válida para tal a não ser os interesses eleitorais do Partido Socialista. Daqui até o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser uma realidade no meu país posso muito bem morrer. E não serei apenas eu a morrer solteira: assim também morrerá a culpa.
De igual modo, não acho histórico que o Senhor Primeiro Ministro só agora tenha chegado à conclusão de que a questão da igualdade entre todos os cidadãos é uma prioridade. Na realidade, acho até bastante triste.
Ainda que todos os pontos da agenda de que fala o Miguel se concretizem, uma coisa é certa: este tema será sempre uma mancha no currículo do PS e nenhum LGBT deveria esquecer-se disso. Estou optimista em relação à mudança, claro, mas até que ela opere tenho todo o direito de duvidar das boas intenções dos socialistas.
Nota: este texto foi publicado (com ligeiras alterações) como comentário a este post do Miguel Vale de Almeida.
«Mais orgulho, sff.»
Isto é o que eu chamo um ganda post (é por estas e por outras que tenho saudades do A Memória Inventada).
Exorto tod@s a lerem integralmente o texto, da autoria de Vasco M. Barreto, mas destaco aqui um excerto (negritos meus):
«(...) Deixo de lado esta inolvidável passagem de demagogia barata ( "sem tibiezas"? É simples calculismo eleitoralista, embora seja preciso fazer umas contas complicadas) e de falta de rigor ("sem meias-soluções?" Mais meia-solução nem por encomenda, porque adia a questão da adopção); pergunto apenas: mas festejar o quê? A proposta de um partido que, podendo ter arrumado o problema de tantos, para bem exclusivo do PS o adia para uma legislatura futura em que nem assim - ou talvez até por isso, se foram burros (mas isto é irrelevante) - deixa de arriscar a perda de maioria absoluta (o PS tem 41% das intenções de voto em Janeiro de 2009, o que é uma pequena descida quanto a Dezembro de 2008)? Quer-me parecer que "isto do casamento panila" não é um assunto arrumado. (...)»
Exorto tod@s a lerem integralmente o texto, da autoria de Vasco M. Barreto, mas destaco aqui um excerto (negritos meus):
«(...) Deixo de lado esta inolvidável passagem de demagogia barata ( "sem tibiezas"? É simples calculismo eleitoralista, embora seja preciso fazer umas contas complicadas) e de falta de rigor ("sem meias-soluções?" Mais meia-solução nem por encomenda, porque adia a questão da adopção); pergunto apenas: mas festejar o quê? A proposta de um partido que, podendo ter arrumado o problema de tantos, para bem exclusivo do PS o adia para uma legislatura futura em que nem assim - ou talvez até por isso, se foram burros (mas isto é irrelevante) - deixa de arriscar a perda de maioria absoluta (o PS tem 41% das intenções de voto em Janeiro de 2009, o que é uma pequena descida quanto a Dezembro de 2008)? Quer-me parecer que "isto do casamento panila" não é um assunto arrumado. (...)»
Contradições da sociedade americana

O mapa acima (cuja fonte é o The Atlantic) debruça-se sobre as alterações ocorridas durante os dois mandatos de George W. Bush à frente da presidência dos EUA. Os resultados das comparações são impressionantes em muitas matérias, mas permito-me alertar para estes dois números, que tão bem traduzem algumas das contradições da sociedade americana (a começar pela eleição do próprio Bush filho e pela capacidade de "dar a volta" elegendo, em seguida, Barack Obama...):
People who think homosexuality is "morally acceptable"
2001: 40%
2008: 48%
"Hate groups" operating in the US
2000: 602
2007: 888
Billionaires
2000: 298
2008: 454
People in poverty
2000: 31.1 million
2007: 37.3 million
Curiosidade: Os números relativos ao aumento de pessoas que consideram a homossexualidade como "moralmente aceitável" (no sentido de não condenável e não discriminável) encontram-se, no mapa, na localização do Estado do Texas, onde o ex-presidente era governador. Eat that, W..
People who think homosexuality is "morally acceptable"
2001: 40%
2008: 48%
"Hate groups" operating in the US
2000: 602
2007: 888
Billionaires
2000: 298
2008: 454
People in poverty
2000: 31.1 million
2007: 37.3 million
Curiosidade: Os números relativos ao aumento de pessoas que consideram a homossexualidade como "moralmente aceitável" (no sentido de não condenável e não discriminável) encontram-se, no mapa, na localização do Estado do Texas, onde o ex-presidente era governador. Eat that, W..
Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Segunda prioridade
Lê-se assim em «PS: A Força da Mudança», a Moção Política de Orientação Nacional ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista da qual José Sócrates é o primeiro subscritor (ver o documento aqui, especialmente página 20):
«F) A promoção da igualdade
(...) A segunda prioridade na promoção da igualdade é o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.» (negrito e sublinhado meus)
Portanto, se esta moção for aprovada no Congresso do PS em Fevereiro, se o P.S. ganhar as eleições em 2009, se este excerto for transcrito para o Programa de Governo e se houver vontade política para o aplicar, os cidadãos portugueses poderão finalmente casar civilmente com a pessoa que amam, independentemente de qual seja o seu sexo.
Porém, eu continuo com várias dúvidas:
1) Como é que isto irá compaginar-se com uma eventual e tão falada "aliança" entre o PS e o CDS/PP caso o PS não obtenha maioria absoluta?
2) E o acesso à adopção por parte de casais de pessoas do mesmo sexo, não é uma questão de igualdade?
3) E a possibilidade de uma mulher solteira e de um casal de lésbicas aceder à procriação medicamente assistida, não é uma questão de igualdade?
4) É suposto que rejubilemos perante estas declarações quando o partido liderado pelo indivíduo que as proferiu poderia há muito ter alterado a lei na Assembleia da República, mas preferiu literalmente adiar a vida daqueles com quem agora demonstra muita (altamente duvidosa) preocupação?
5) Mas acaso o PS pensa que os homossexuais portugueses padecem todos de amnésia?
«F) A promoção da igualdade
(...) A segunda prioridade na promoção da igualdade é o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.» (negrito e sublinhado meus)
Portanto, se esta moção for aprovada no Congresso do PS em Fevereiro, se o P.S. ganhar as eleições em 2009, se este excerto for transcrito para o Programa de Governo e se houver vontade política para o aplicar, os cidadãos portugueses poderão finalmente casar civilmente com a pessoa que amam, independentemente de qual seja o seu sexo.
Porém, eu continuo com várias dúvidas:
1) Como é que isto irá compaginar-se com uma eventual e tão falada "aliança" entre o PS e o CDS/PP caso o PS não obtenha maioria absoluta?
2) E o acesso à adopção por parte de casais de pessoas do mesmo sexo, não é uma questão de igualdade?
3) E a possibilidade de uma mulher solteira e de um casal de lésbicas aceder à procriação medicamente assistida, não é uma questão de igualdade?
4) É suposto que rejubilemos perante estas declarações quando o partido liderado pelo indivíduo que as proferiu poderia há muito ter alterado a lei na Assembleia da República, mas preferiu literalmente adiar a vida daqueles com quem agora demonstra muita (altamente duvidosa) preocupação?
5) Mas acaso o PS pensa que os homossexuais portugueses padecem todos de amnésia?
Sábado, 17 de Janeiro de 2009
Ai a minha vida!
Esta tarde, enquanto almoçava (é sábado, que se danem os horários!), cometi a imprudência de ligar o rádio na Antena 3. Fiquei a saber que a emissão do dia de hoje é inteiramente dedicada aos Xutos & Pontapés, a propósito da comemoração dos 30 anos da banda. Resultado: durante cerca de uma hora estive a ouvir gente do panorama musical português a dar os parabéns aos Xutos e a escolher temas deles para passarem na rádio.
Foi bom recordar algumas dessas canções, claro (ao tempo que eu não ouvia «Morte Lenta»!), mas acaso os programadores da Antena 3 acham que alguém que não esteja acorrentado a uma cama sob ameaça de, se se mover um centímetro, ser mergulhado numa tina de lava a ferver, aguenta passar o dia inteiro a ouvir a mesma banda?!
Aos quarenta minutos eu já estava fartinha ate à ponta dos meus deslumbrantes cabelos de ouvir sempre o mesmo relambório num português particularmente esmerado e irrepreensível (que soava mais ou menos assim: «pronto, pá, parabéns pa vocês, pá, que foram uma banda de referência pa nós porque, pronto, acompanharam a nossa juventude e não há ninguém como vocês, pá, parabéns e continuem»), mas isso sou eu, que tenho um feitio que Deus me livre, porque aposto que os milhares de ouvintes da Antena 3 estavam a delirar com o formato repetitivo e desinteressante do programa...
Os Xutos mereciam um bocadinho mais, parece-me.
Foi bom recordar algumas dessas canções, claro (ao tempo que eu não ouvia «Morte Lenta»!), mas acaso os programadores da Antena 3 acham que alguém que não esteja acorrentado a uma cama sob ameaça de, se se mover um centímetro, ser mergulhado numa tina de lava a ferver, aguenta passar o dia inteiro a ouvir a mesma banda?!
Aos quarenta minutos eu já estava fartinha ate à ponta dos meus deslumbrantes cabelos de ouvir sempre o mesmo relambório num português particularmente esmerado e irrepreensível (que soava mais ou menos assim: «pronto, pá, parabéns pa vocês, pá, que foram uma banda de referência pa nós porque, pronto, acompanharam a nossa juventude e não há ninguém como vocês, pá, parabéns e continuem»), mas isso sou eu, que tenho um feitio que Deus me livre, porque aposto que os milhares de ouvintes da Antena 3 estavam a delirar com o formato repetitivo e desinteressante do programa...
Os Xutos mereciam um bocadinho mais, parece-me.
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
«Definitely into each other»

Há uma canção das The Pipettes chamada «Judy» cuja letra reza, em parte, assim:
Judy, whatcha gonna do?
When you're older and no one wants to know ya?
I will look out for you,
If you will look out for me
I know I'm not as hard as you
But I think I can see right through you,
Now me and Judy we're the best of pals,
She took me dancing to the early hours
And showed me things I've never seen
(o vídeo pode ser visto aqui)
E perguntais-me vós: e em que é que isso contribui para a minha felicidade? Talvez nada, meus amigos, mas vem muito a propósito do facto de a Dame Judi Dench, senhora dos seus 74 anos (ali na foto ao lado), ter começado a namorar com uma DJ de 32 aninhos e, a julgar pelas notícias que por aí circulam, «they're definitely into each other» (clique para ler notícia).
Pois é, minhas caras e meus caros, a vida tem destas coisas!
:: ADENDA (em 16.01.2009) ::
Afinal, é mentira. O site onde todas as notícias que circulam por aí se baseiam (incluindo a que referencio neste post), é o The Onion, de cunho humoristico-fantasioso e muito pouco dado ao rigor e à verdade. Segundo me disseram, a "piada" era troçar de Lindsay Lohan e do seu namoro com Samantha Ronson, uma (olha que coincidência!) DJ de 32 anos...
Judy, whatcha gonna do?
When you're older and no one wants to know ya?
I will look out for you,
If you will look out for me
I know I'm not as hard as you
But I think I can see right through you,
Now me and Judy we're the best of pals,
She took me dancing to the early hours
And showed me things I've never seen
(o vídeo pode ser visto aqui)
E perguntais-me vós: e em que é que isso contribui para a minha felicidade? Talvez nada, meus amigos, mas vem muito a propósito do facto de a Dame Judi Dench, senhora dos seus 74 anos (ali na foto ao lado), ter começado a namorar com uma DJ de 32 aninhos e, a julgar pelas notícias que por aí circulam, «they're definitely into each other» (clique para ler notícia).
Pois é, minhas caras e meus caros, a vida tem destas coisas!
:: ADENDA (em 16.01.2009) ::
Afinal, é mentira. O site onde todas as notícias que circulam por aí se baseiam (incluindo a que referencio neste post), é o The Onion, de cunho humoristico-fantasioso e muito pouco dado ao rigor e à verdade. Segundo me disseram, a "piada" era troçar de Lindsay Lohan e do seu namoro com Samantha Ronson, uma (olha que coincidência!) DJ de 32 anos...
E por falar em lapidação...
... visto que aqui no burgo já estivemos mais longe disso do que estamos, o governo aprovou hoje em Conselho de Ministros a versão final da proposta para reforçar combate à violência doméstica (clique para ler notícia da Lusa). O documento pode ser lido na página do governo (clicar para ler).
É disto que o meu povo gosta!
As declarações do Cardeal Patriarca de Lisboa deram origem a uma espécie de mini dossier sobre os «sarilhos» em que incorrem as portuguesas que casarem com um muçulmano (clicar para ler).
Não imaginam o gáudio que é assistir o modo incivilizado (gosto de usar palavras meigas) como aquele povo que tem uma vida sexual pouco ou nada activa se digladia nos comentários... Tão lindo...
Nota 1: Já agora, se abrirem o link, reparem no pormenor: D. José Policarpo assumiu as suas declarações. O Xeque, por sua vez, prefere não ser identificado. Já dizia o outro: «se pensares não digas, se disseres não escrevas, se escreveres não assines». Ah, pois, porque se o fizeres, estás sujeito a ser chacinado via notícias, comentários e posts, assim ao jeito da lapidação pública que a lei muçulmana exemplarmente prevê para a mulher adúltera ou meramente suspeita de adultério. O D. José Policarpo que o diga.
Nota 2: Eu admito as declarações do Cardeal no tangente à religião muçulmana, mas o mesmo já não posso fazer em relação às que proferiu sobre os homossexuais e a possibilidade de reprimirem a sua homossexualidade. Quanto à referência que o Cardeal fez aos homens que ajudou a mudarem a sua orientação homossexual para heterossexual e que hoje, nas suas palavras, são casados, pais de filhos e felizes, digo apenas que casados e pais de filhos até podem ser, mas felizes não serão, certamente. Se não ouviram ou ouviram as declarações do mesmo truncadas, cliquem aqui para ouvir.
Não imaginam o gáudio que é assistir o modo incivilizado (gosto de usar palavras meigas) como aquele povo que tem uma vida sexual pouco ou nada activa se digladia nos comentários... Tão lindo...
Nota 1: Já agora, se abrirem o link, reparem no pormenor: D. José Policarpo assumiu as suas declarações. O Xeque, por sua vez, prefere não ser identificado. Já dizia o outro: «se pensares não digas, se disseres não escrevas, se escreveres não assines». Ah, pois, porque se o fizeres, estás sujeito a ser chacinado via notícias, comentários e posts, assim ao jeito da lapidação pública que a lei muçulmana exemplarmente prevê para a mulher adúltera ou meramente suspeita de adultério. O D. José Policarpo que o diga.
Nota 2: Eu admito as declarações do Cardeal no tangente à religião muçulmana, mas o mesmo já não posso fazer em relação às que proferiu sobre os homossexuais e a possibilidade de reprimirem a sua homossexualidade. Quanto à referência que o Cardeal fez aos homens que ajudou a mudarem a sua orientação homossexual para heterossexual e que hoje, nas suas palavras, são casados, pais de filhos e felizes, digo apenas que casados e pais de filhos até podem ser, mas felizes não serão, certamente. Se não ouviram ou ouviram as declarações do mesmo truncadas, cliquem aqui para ouvir.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Confiança e aproveitamento
No programa «Jogo Duplo» (o tal do José Carlos Malato), com que eu decidi torturar-me esta noite, já desistiram duas mulheres, apesar de, desde o início do programa, estar o mesmo indivíduo (homem) a ocupar o último lugar da tabela. Hoje, como em muitos programas anteriores, verifica-se um padrão: as mulheres têm menos confiança em si mesmas do que deveriam ter e os homens, por sua vez, aproveitam-se do facto.
Bem vistas as coisas, o dado não é novo. É assim há séculos.
Bem vistas as coisas, o dado não é novo. É assim há séculos.

| Marriage is love. | |||||









